Ao pensarmos um planejamento seja de um projeto, seja diário, devemos levar em consideração o interesse dos nossos alunos, pois assim estaremos trazendo algo significativo e contextualizado. Acredito que temos o dever de formar alunos cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, capazes de opinar e interferir de forma crítica e reflexiva dentro da sociedade em que vivem, podendo assim modificar a sua própria história para posteriormente fazer algo pela história da sua comunidade, por isso a importância de adequarmos os conceituais desenvolvidos a realidade em que estão inseridos. Estudiosos como Célestin Freinet e Maria Montessori, acreditavam que a educação tem o dever de tornar os cidadãos autônomos e cooperativos, respeitando-se as diferenças individuais permitindo o desenvolvimento da personalidade e do caráter individual, respectivamente. Nesse sentido, o Projeto Político Pedagógico da escola em que eu trabalho, também acredita que a educação tem esse dever, para isso promovemos atividades que envolvam a comunidade escolar, buscando uma integração entre a escola e a família, apesar de isso ser difícil. Proporcionar saídas de campo aos nosso alunos é outra atividades que promovemos a fim de mostrar a eles que existe um mundo além dos muros da escola e dos limites da vila, estabelecendo um diálogo crítico e reflexivo com os mesmos.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Crime com o educando
Infelizmente ainda encontramos professores semelhantes àquele que aparece no texto “O menininho”, de Helen Buckley. Professor este, que não deixa seus alunos serem autônomos, considerando que todos são iguais, sem peculiaridades e que aprendem da mesma forma. Não é fácil trabalhar com profissionais assim, e mais difícil ainda é fazer com que percebam que estão equivocados quanto as suas práticas pedagógicas, pois a mudança somente ocorrerá quando o educador sinta de fato, que cada aluno é único e merece ser tratado de forma individual, por mais complicado que isso possa ser. Acho que é um processo interno do sujeito, não adianta as pessoas que estão de fora quererem que ele mude, se o próprio não deseja isso. Cito aqui, a situação de uma colega de trabalho, a qual já foi chamada inúmeras vezes pela equipe diretiva, a fim de rever a sua postura, inclusive esta já é Pedagoga; no início se compromete e tenta fazer diferente, mas ao longo do tempo retorna a fazer coisas que não deveria. Eu, enquanto educadora, busco desenvolver atividades que desenvolvam autonomia e criticidade em meus educandos, procurando trabalhar de forma coletiva, na criação de regras e conceitos, a fim de transformá-los em conhecimentos. Espero que todos aqueles que forem meus alunos, possam lembrar de mim, como uma pessoa que foi acima de tudo amiga, pois creio que somente através do afeto o professor pode estabelecer uma relação de confiança com seu educando, tão necessária para ocorrer à aprendizagem. Também, procuro adequar os conceituais obrigatórios à realidade deles, para que se tornem significativos. Enfim, o diálogo, galgado numa relação de confiança e respeito mútuo, conduzirá os alunos para serem sujeitos críticos e reflexivos, capazes de transformar a realidade em que vivem.
Função da EJA
A Educação de Jovens e Adultos tem a função reparadora, ou seja, é a forma como as políticas públicas pretendem suprir o direito que foi negado aos jovens e adultos, de poder estudar na idade regular. Através da EJA, essa clientela tem a oportunidade do acesso ao ensino de qualidade, onde poderão ampliar suas práticas de letramento, de escrita e de leitura do mundo. Vão adquirir autonomia para lerem, escreverem e calcularem sozinhos, sem ter que necessitar do auxílio de outras pessoas.
Sujeito EJA
Falar de Educação de Jovens e Adultos, é considerar acima de tudo a situação de “não crianças”, de excluídos da escola e de pertencentes a determinados grupos sociais. Se a escola considerar estes três aspectos, receberá esses alunos oferecendo um ensino condizente com a realidade dos mesmos e sobretudo de qualidade. Cabe ao professor oferecer aulas atraentes e principalmente diferentes daquelas dadas no ensino regular, visto que para um adolescente e principalmente para um adulto que trabalhou durante um dia inteiro, chegar à escola e ter que assistir uma aula onde a professora passa a música “O sapo não lava o pé”, é consideravelmente desmotivante. Claro, que se esta canção estivesse envolvida em um projeto sobre a infância, seria uma atividade atraente e motivadora, mas isso sem dúvida não ocorreu – encontrei essa situação durante a saída de campo. Além disso, os educadores de EJA precisam entender primeiro, que estes alunos que estão lá, foram excluídos do ensino regular seja por evasão; por inúmeras repetências; ou por iniciarem muito cedo a trabalhar; mas que essa situação é comum a todos, por isso é necessário que ele busque envolver este educando, valorizando toda e qualquer experiência que ele traga consigo, a fim de mantê-lo na escola. Bem como, perceber que por participar de determinados grupos sociais, esses adultos e adolescentes têm uma identidade sócio-cultural já definida e, portanto, precisa ser respeitado. Sem dúvida, ao realizar a saída de campo, confirmei tudo o que havia aprendido neste interdisciplina, pois encontrei na escola alunos oriundos de outras cidades, que migraram em busca de melhores oportunidades de emprego; filhos de pais na sua grande maioria analfabetos e pobres. Estão na escola hoje, por necessidade, de trabalho, para tirar a carteira de habilitação ou para aprender a ler e a escrever. Percebi que sentem vergonha dessa situação e que são movidos por motivações próprias, visto que a família acha bobagem voltar a estudar nesta idade. Por terem “maior capacidade de reflexão sobre o conhecimento e sobre seus próprios processos de aprendizagem” (OLIVEIRA, Marta Kohl), estão mais vulneráveis a se frustrarem diante das dificuldades, acabando por abandonar a escola. Muitos já iniciaram os estudos muitas vezes, mas acabam desistindo ao longo do ano. Outro fato que me chamou a atenção foi que todos conheciam os números e sua utilidade na vida diária; sabiam horas, fazer cálculos mentais, utilizar o sistema monetário, enfim aquilo que era útil e necessário para o seu cotidiano. Porém relataram que o conseguiam pegar um ônibus, pois não sabiam ler o que estava escrito. Finalizando, creio que a docência na EJA requer muito preparo por parte do professor e da escola como um todo, valorizando e respeitando esses alunos; numa constante troca entre os envolvidos no processo de ensino/aprendizagem.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
RETROSPECTIVA DA HISTÓRIA DOS SURDOS
Inicialmente os surdos não eram considerados cidadãos, tendo negado o direito ao voto, ao casamento, ao estudo, entre tantos outros. Porém, tornaram-se objeto de curiosidade e consequentemente de estudo e pesquisa. Então, decide-se que nas escolas, somente poderia ser usado o Oralismo com os alunos surdos, por acreditarem que somente a linguagem oral era capaz de proporcionar um diálogo e que a língua de sinais atrapalhava o desenvolvimento dos alunos. Entretanto, a língua de sinais continuou sendo utilizada, mas de forma escondida, pelos surdos.
A partir da década de 60, adotou-se então, a Comunicação Total, uma mistura da Língua Portuguesa, linguagem oral e da Língua de Sinais; fracassando novamente, dado a confusão causada pela mistura de línguas.
Atualmente, a melhor proposta é considerada a do Bilinguismo, que prioriza a Língua de Sinais, para posteriormente utilizar uma segunda língua, a Língua Portuguesa.
Para acolher o aluno surdo, é necessário que o professor esteja preparado, bem como a instituição escola, sendo que este aluno precisa ser respeitado em sua individualidade e peculiaridade. Além disso, cabe ao educador, entender que a Língua oficial do surdo é a LIBRAS, e não a língua Portuguesa. Também, é preciso proporcionar uma gama maior de elementos visuais, visto que o surdo tem esse sentido aguçado. E, é imprescindível travar uma luta para exigir o direito que este aluno tem em ser acompanhado por uma intérprete em sala de aula.
Não é verídico que o aluno surdo tenha dificuldades de aprendizagem, e sim pode ter dificuldades em escrever, pois a Língua de Sinais difere da Língua Portuguesa. Para o aluno surdo, encontrar um professor surdo representa uma maior identificação cultural, visto que este se torna um exemplo de adulto surdo bem sucedido, situação geralmente incomum no seu cotidiano.
É preciso desmistificar o preconceito que o surdo sofre muitas vezes dentro da sua própria casa, sendo assim reproduzido na sociedade. A criança surda precisa sentir dentro da sua família, que é uma pessoa com capacidade e habilidades como qualquer outra; se for considerada assim, encontrará forças para lutar contra o preconceito com o qual irá se deparar pelo mundo afora. Por isso, os pais tem o dever de conhecer a fundo os direitos dos seus filhos, para poder garantir que os mesmos cresçam e se desenvolvam da melhor maneira possível.
O surdo precisa ser considerado como diferente em um único aspecto, a audição, mas não como deficiente ou inferior.
A partir da década de 60, adotou-se então, a Comunicação Total, uma mistura da Língua Portuguesa, linguagem oral e da Língua de Sinais; fracassando novamente, dado a confusão causada pela mistura de línguas.
Atualmente, a melhor proposta é considerada a do Bilinguismo, que prioriza a Língua de Sinais, para posteriormente utilizar uma segunda língua, a Língua Portuguesa.
Para acolher o aluno surdo, é necessário que o professor esteja preparado, bem como a instituição escola, sendo que este aluno precisa ser respeitado em sua individualidade e peculiaridade. Além disso, cabe ao educador, entender que a Língua oficial do surdo é a LIBRAS, e não a língua Portuguesa. Também, é preciso proporcionar uma gama maior de elementos visuais, visto que o surdo tem esse sentido aguçado. E, é imprescindível travar uma luta para exigir o direito que este aluno tem em ser acompanhado por uma intérprete em sala de aula.
Não é verídico que o aluno surdo tenha dificuldades de aprendizagem, e sim pode ter dificuldades em escrever, pois a Língua de Sinais difere da Língua Portuguesa. Para o aluno surdo, encontrar um professor surdo representa uma maior identificação cultural, visto que este se torna um exemplo de adulto surdo bem sucedido, situação geralmente incomum no seu cotidiano.
É preciso desmistificar o preconceito que o surdo sofre muitas vezes dentro da sua própria casa, sendo assim reproduzido na sociedade. A criança surda precisa sentir dentro da sua família, que é uma pessoa com capacidade e habilidades como qualquer outra; se for considerada assim, encontrará forças para lutar contra o preconceito com o qual irá se deparar pelo mundo afora. Por isso, os pais tem o dever de conhecer a fundo os direitos dos seus filhos, para poder garantir que os mesmos cresçam e se desenvolvam da melhor maneira possível.
O surdo precisa ser considerado como diferente em um único aspecto, a audição, mas não como deficiente ou inferior.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Direitos
Falar em inclusão é muito bonito, porém, a forma como ela ocorre em nossas escolas é um ato de desrespeito para com o professor e com o aluno. Gostaria de relatar a história de uma colega professora que recebeu um aluno deficiente auditivo. Simplesmente a diretora levou o menino até a sala de aula e o apresentou a ela, dizendo que ele era surdo. Logo, ela ficou apavorada, pois não sabia como iria fazer para receber de forma satisfatória o menino. Também, os colegas ficaram um pouco apreensivos, mas logo fizeram amizade com ele. A professora partiu em busca de um curso para aprender a falar Libras, mas percebeu que não era tão simples assim e que levaria bastante tempo para poder estabelecer um diálogo fluente com o aluno. Houve o auxílio da família do garoto, e felizmente como ele já era alfabetizado, foi possível a comunicação escrita. Infelizmente, ninguém orientou a professora, nem mesmo a escola sabia que o aluno surdo tem o direito de ter um intérprete na sala de aula. Vejo que falta orientação e conhecimento por parte das instituições de Ensino, da Secretaria de Educação, e principalmente por parte da família, a qual deveria saber o que a lei garante para o seu filho e lutar para que sejam efetivados esses direitos. Assim, acredito que poderá ocorrer a inclusão de fato.
História dos surdos
A caminhada dos surdos vem se modificando ao longo da história, sendo que hoje, são considerados (ainda que haja preconceito) pessoas capazes como quaisquer outras, porém, apresentam uma deficiência auditiva. São sujeitos com uma cultura própria, bem como uma língua, a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS). Entretanto, não foi sempre assim. Antigamente, os surdos eram considerados incapazes, loucos e doentes, sendo excluídos do convívio social e muitas vezes internados em clínicas psiquiátricas. Não era dada a oportunidade aos surdos de se comunicarem com as demais pessoas, que não fosse a linguagem oral, não sendo considerados os conhecimentos e capacidades que este indivíduo já possuía. Ao surdo, restava pena e a intenção de ser curado da sua surdez. Temos o dever de disseminar o conhecimento que adquirimos ao longo desta interdisciplina, com a intenção de erradicar o preconceito existente entre as pessoas que desconhecem esta história de lutas por uma identidade cultural, buscando a efetivação dos seus direitos.
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