As pessoas não leem, falam e escrevem da mesma forma, pois varia de acordo com o contexto, com os sujeitos envolvidos, com as situações de uso, sendo que não há uma língua padrão, pois sofrem influências socioculturais. Tanto a leitura, quanto à escrita e a fala, ocorrem de formas variadas ao longo do tempo, pois não é um exercício mecânico a ser repetido sempre da mesma forma. As crianças estabelecem uma relação muito próxima entre a leitura e a escrita, sendo que transcrevem como falam, tornando mais difícil este processo. Algumas inclusive, necessitam de encaminhamento para a fonoaudióloga. Porém, ao longo do tempo, descobrem que a escrita precisa seguir regras e normas e assim vão acrescentando conhecimentos.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Ler, escrever e falar
As pessoas não leem, falam e escrevem da mesma forma, pois varia de acordo com o contexto, com os sujeitos envolvidos, com as situações de uso, sendo que não há uma língua padrão, pois sofrem influências socioculturais. Tanto a leitura, quanto à escrita e a fala, ocorrem de formas variadas ao longo do tempo, pois não é um exercício mecânico a ser repetido sempre da mesma forma. As crianças estabelecem uma relação muito próxima entre a leitura e a escrita, sendo que transcrevem como falam, tornando mais difícil este processo. Algumas inclusive, necessitam de encaminhamento para a fonoaudióloga. Porém, ao longo do tempo, descobrem que a escrita precisa seguir regras e normas e assim vão acrescentando conhecimentos.
Planejar
Ter um horário de planejamento é muito importante, para que consigamos planejar nossas atividades docentes com qualidade. Assim ocorre no município em que eu trabalho; todos os docentes têm o direito há quatro horas semanais para planejar suas aulas. Acredito que para desenvolver uma aula com qualidade, é imprescindível que o professor esteja com sua aula previamente preparada, evitando assim ser pega de surpresa, principalmente pelos alunos maiores, que percebem o despreparo do professor. Também, é necessário que o professor entenda que por haver planejado, não significa que deve cumprir tal e qual durante as suas aulas o planejamento; é importante considerar as situações que ocorram, fazendo com que o planejamento seja flexível e que favoreça a aprendizagem utilizando aquilo que os educandos trazem como curiosidade para a escola.
Trabalho com projetos
Quando o professor desenvolve o trabalho por projetos, ele tem um facilitador a seu favor, pois um projeto deve sempre partir de algo interessante e significativo para os alunos. É o interesse e a curiosidade coletiva da turma que movem o projeto. O professor deve ser mais flexível, estando atento aos fatos novos que vão surgindo ao longo do processo, sendo um facilitador dos conhecimentos e não um transmissor. Todos devem ter vez e voz dentro do projeto, sendo respeitados em suas individualidades; é uma construção coletiva, de diálogo e cooperação. O aluno deve ser instigado a refletir de forma crítica sobre as situações, estando consciente daquilo que pode fazer para modificar as situações com as quais se depara. Pensando na realidade da escola, acredito que para que o professor desenvolva de forma satisfatória a Pedagogia de Projetos, é necessário que tenha o auxílio da supervisora, que irá contribuir com idéias e sugestões, bem como zelar para que não se interrompa o projeto sem tê-lo concluído.
Temas geradores
Durante a saída de campo que realizei para a interdisciplina de EJA, percebi que a educadora não estudou sobre alfabetização de jovens e adultos, na perspectiva freireana, visto que não utiliza no planejamento de suas aulas, a proposta dos temas geradores. Percebi que trabalha de forma solta e descontextualizada. Trabalhar com temas geradores, favorece a aprendizagem, pois o assunto a ser discutido parte dos interesses dos alunos. Inicialmente fala-se em uma dimensão maior, que é o mundo, para depois partirem para a realidade local, e então de forma crítica e reflexiva é visto quais são as necessidades de mudanças e de que forma isso será feito. São estas situações que se tornam os temas geradores, sendo assim construtivas. O professor deve estimular seus alunos para que através do erro possam fazer novas construções e consequentemente crescer. Tarefa difícil tem o professor: a de reencantar os educandos para que sintam-se motivados a enfrentar uma sala de aula, na busca por autonomia e melhores condições de trabalho; e também, incentivar seu alunos para que não desista, pois não há um tempo determinado para aprendermos, mas sim uma vida toda.
Antigo, mas atual
Apesar de bastante antigas, por volta de 1600, às idéias de Comênio são atuais e deveriam ser seguidas pelos educadores. Igualmente hoje, a educação pretende atingir a maioria dos indivíduos, sob o pressuposto de direitos iguais para todos. Comênio falava que é extremamente importante considerar o aluno em suas individualidades, em seus saberes anteriores, enfim, sendo um sujeito único. Além disso, cita a magnitude de uma educação voltada inicialmente para o ser humano, considerando seus sentimentos acima de tudo, pois somente aprenderá aquele que estiver motivado, sensibilizado. As aprendizagens devem ser significativas, para que a educação se efetive, bem como deve haver um bom relacionamento professor/ aluno, para que as aulas sejam prazerosas. É uma lástima que ainda haja tantos professores alheios a esta forma de educar. Isso me conduz a uma certeza: já é chegada à hora de reverem a forma como os cursos de Magistério preparam seus futuros professores a fim de acabarmos de vez com posturas inadequadas, que podam o aluno em suas capacidades, considerando-os como um grande grupo, de forma coletiva.
Por que avaliar?
Acredito que os cursos de graduação deveriam oferecer uma disciplina exclusiva de avaliação, pois é um tema complexo e que pode determinar o futuro de um educando. Na avaliação classificatória o aluno é tratado como um produto, sendo apenas considerados os aspectos quantitativos, com a intenção de julgar e classificar o aluno. Tem o caráter seletivo e competitivo. Não sugere propostas e encaminhamentos e sim reprova ou aprova. Já a avaliação mediadora está a serviço do aluno e da escola como um todo, considerando os aspectos qualitativos da aprendizagem, verificando se os objetivos estão sedo alcançados. Preocupa-se com o processo ensino x aprendizagem sob os aspectos cognitivos, afetivos e relacionais. É ação – reflexão – ação. E, é amparado neste tipo de avaliação que todos os professores e escolas deveriam desenvolver suas atividades docentes, considerando sempre o aluno em suas individualidades, sendo respeitado o tempo próprio de cada um, valorizando seus conhecimentos prévios. Cabe ao professor conhecer o seu aluno através das atividades do dia-a-dia e não avaliá-lo apenas por resultados de provas. Essa postura pertencente à posição reducionista da avaliação, estabelece destaque para a avaliação, sendo reservado um período específico para provas e testes, a fim de classificar o aluno; é como se fosse um ritual para comprovarem o que aprenderam. Dessa forma, muitos alunos ficam em pânico quando iniciados o período das avaliações, podendo assim, perder-se toda a construção de uma caminhada. O processo de ensino-aprendizagem reduz-se a uma seqüência de atos: transmitir – assimilar – memorizar – reproduzir conhecimentos. A avaliação ocorre em processos estanques, delimitados pelos períodos durante o ano letivo; não há uma continuidade. Consideram-se apenas os aspectos cognitivos em detrimento dos afetivos e das habilidades. Outra proposta de avaliação é a visão unilateral que considera apenas o aluno como parte do processo, sendo este o único a ser avaliado. Assim, não há democracia nesta visão, pois o professor é o soberano em sua avaliação, que é autoritária e centralizadora. A disposição dos alunos em sala de aula é em filas, um atrás do outro, reforçando a postura de autoridade do professor. Também, há a preocupação burocrática demasiada, onde provas, registros e testes, se sobressaem ao conhecimento global do educando. Na escola em que eu trabalho, temos uma educadora que com certeza desenvolve sua prática docente embasada nesta proposta, visto que demonstra uma demasiada preocupação com os registros, com os papéis, com provas e trabalhos individuais, avaliando os alunos apenas pelo resultado obtido nessas avaliações, sendo desconsiderado o progresso que o aluno teve durante o ano letivo. Sem dúvida, o professor tem papel fundamental no processo de avaliação, sendo que deve saber o que avaliar e para que avaliar; e utilizar a avaliação como instrumento de investigação para a partir das falhas detectadas, buscar alternativas para solucioná-las. Eu, enquanto educadora, estabeleço no início do ano com os alunos e com os pais, o que será avaliado, a forma como será transmitido aos envolvidos o resultado das avaliações, sendo que os alunos têm a oportunidade de avaliarem o processo, bem como se auto-avaliarem.
Por uma nova educação
Ao pensarmos um planejamento seja de um projeto, seja diário, devemos levar em consideração o interesse dos nossos alunos, pois assim estaremos trazendo algo significativo e contextualizado. Acredito que temos o dever de formar alunos cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, capazes de opinar e interferir de forma crítica e reflexiva dentro da sociedade em que vivem, podendo assim modificar a sua própria história para posteriormente fazer algo pela história da sua comunidade, por isso a importância de adequarmos os conceituais desenvolvidos a realidade em que estão inseridos. Estudiosos como Célestin Freinet e Maria Montessori, acreditavam que a educação tem o dever de tornar os cidadãos autônomos e cooperativos, respeitando-se as diferenças individuais permitindo o desenvolvimento da personalidade e do caráter individual, respectivamente. Nesse sentido, o Projeto Político Pedagógico da escola em que eu trabalho, também acredita que a educação tem esse dever, para isso promovemos atividades que envolvam a comunidade escolar, buscando uma integração entre a escola e a família, apesar de isso ser difícil. Proporcionar saídas de campo aos nosso alunos é outra atividades que promovemos a fim de mostrar a eles que existe um mundo além dos muros da escola e dos limites da vila, estabelecendo um diálogo crítico e reflexivo com os mesmos.
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